É assim, num caminho infinito, que vamos prosseguir para o encontro espiritual com Deus!
1 – A Criação de Deus
No início o que É, era tudo que havia. Porém, Tudo Que É não podia
conhecer-se – porque não havia mais coisa alguma. E então, Tudo Que É...
não era. Porque, na ausência de outra coisa, Tudo Que É, não É. Esse é o
grande Ser ou Não Ser a que os místicos se referem desde o início dos
tempos. Tudo Que É sabia que era tudo que existia – mas isso não era
suficiente, porque só podia conhecer a sua total magnificência
conceitualmente, não experimentalmente. Contudo, a experiência de Si
Mesmo era aquilo pelo que ansiava, porque desejava saber como era ser tão
magnificente. Mas isso era impossível, porque o próprio termo
“magnificente” é um termo relativo.
Tudo Que É só poderia saber como era ser magnificente, quando o
que não é surgisse. Na ausência do que não é, o que é, não é.A única coisa
que Tudo Que É sabia é que nada mais havia. Portanto, nunca poderia
conhecer a Si Mesmo a partir de um ponto de referência externo. Esse ponto
não existia. Só existia um ponto de referência interno. O “É - Não É”. O
“Sou - Não Sou”.
Mas o Tudo de Tudo decidiu conhecer-se experimentalmente. Essa
energia – pura, não vista, não ouvida, não observada e, portanto,
desconhecida por qualquer outra energia – decidiu experimentar a Si Própria
em toda a sua magnificência. Para fazer isso, percebeu que teria de usar um
ponto de referência interno.
Decidiu bastante corretamente, que qualquer parte de si própria
teria necessariamente de ser menos do que o todo, e que se simplesmente se
dividisse em partes, cada uma delas, sendo menos do que o todo, poderia
olhar para o restante e ver magnificência. E então Tudo Que É dividiu-se –
tornando-se, em um momento glorioso, o que é isto, e o que é aquilo. Pela
primeira vez, existiram isto e aquilo, bem separados um do outro, e ainda
assim, simultaneamente. Como tudo que não era nem um e nem outro.
Portanto, existiram subitamente três elementos: o que está aqui, o que está
lá, e o que não está aqui nem lá, mas que devia existir para que lá e aqui
existissem.
É o nada que contém o tudo. É o não-espaço que contém o espaço.
É o todo que contém as partes. Agora esse nada que contém o tudo é o que
algumas pessoas chamam de Deus. Porém, isso também não é exato, porque
sugere que há algo que Deus não é – a saber, tudo que não é “nada”. Mas
Eu Sou Todas as Coisas – visíveis e invisíveis – por isso essa descrição de
Mim como o Grande Invisível – o Nada, ou o Espaço no Meio, uma definição
mística de Deus essencialmente oriental, não é mais exata do que a descrição
prática de Deus essencialmente ocidental como tudo que é visível. As pessoas
que acreditam que Deus é Tudo Que É e Tudo Que Não É, são aquelas cuja
compreensão é correta.
Continua...1
