domingo, 10 de agosto de 2014

Continuando...8.2

Amar a Deus

O terceiro passo pode não ser fácil num planeta onde não se ouve 
falar de amar alguém sem colocar alguma exigência, onde amar alguém 
incondicionalmente raramente é praticado, e as pessoas ouvem falar disto 
com grande ceticismo, e onde amar a todos sem limites é visto na prática 
como “errado”. Os três fatores destruidores do amor são:

Carência, Expectativa e Ciúme.

Não se pode amar verdadeiramente outra pessoa quando qualquer 
uma dessa três causas está presente. E certamente não se pode amar um 
Deus que tolere qualquer uma delas, quanto mais todas. É preciso entender 
primeiro um problema para poder resolvê-lo. A carência é a força mais 
poderosamente destruidora do amor que jamais existiu. Apesar disso, a 
maioria dos membros da sua espécie não sabe a diferença entre amor e 
carência, e por isso confundiu os dois e continua a fazê-lo diariamente.
Carência é quando você imagina que existe algo fora de você que 
você não possui e de que necessita para ser feliz. E como você acredita que 
precisa, fará qualquer coisa para consegui-lo. Você tenta adquirir o que acha 
que precisa. A maioria das pessoas adquire o que acha que precisa 
negociando. Troca o que já tem por aquilo que procura ter. E a esse processo 
vocês chamam de “amor”. Vocês imaginam que essa é a maneira de mostrar 
seu amor uns pelos outros, porque aprenderam que essa é a maneira pela 
qual Deus mostra Seu Amor por vocês. 
Ensinaram a vocês que Deus estabeleceu uma barganha: ”se vocês 
Me amarem que entrem no Céu, se não Me amarem, não deixarei”. Disseram-
lhes que Deus é assim e por isso vocês se tornaram assim. Foi criada na 
mitologia humana que o amor é condicional. Mas isso não é uma verdade, é 
um mito. É parte da história cultural de vocês, mas não uma parte da 
realidade de Deus. Na verdade, Deus não precisa de nada, e portanto, não 
Como Deus pode necessitar de alguma coisa? Deus é a Totalidade, 
Todas As coisas, o Que Transforma Sem Se Transformar, a Fonte de Tudo o 
que você possa imaginar de que Deus necessite. Entender que Eu Tenho 
Tudo, que Eu Sou Tudo e que Eu Não Preciso de Nada, faz parte de Me 
conhecer. Quando você Me conhecer de verdade, vai começar a desmontar o 
Mesmo que você consiga eliminar a carência do seu relacionamento 
com o outro e Comigo, você talvez tenha ainda de lutar contra a expectativa.
A expectativa consiste em imaginar que alguém deverá ter um 
comportamento específico, mostrar-se como você pensa que é ou como você 
acha que deveria ser. Assim como a carência, a expectativa é mortal. A 
expectativa reduz a liberdade e a liberdade é a essência do amor. Quando 
você ama alguém, você lhe dá liberdade total para ser quem é, pois essa é a 
maior dádiva que você pode dar e o amor sempre concede a maior dádiva.
Esta é a dádiva que Eu lhe dou e, no entanto, você não pode imaginar 
que Eu a esteja dando, porque você não consegue imaginar um amor tão 
grande. As religiões dizem que Eu dou liberdade para fazer qualquer coisa, 
para fazer as escolhas que se queira. Contudo, vou perguntar mais uma vez: 
se EU o torturo infinitamente e o condeno eternamente por fazer determinada 
escolha que EU não queria que fizesse, Eu o tornei livre? Não, EU o tornei 
capaz. Você é capaz de fazer qualquer escolha que queira, mas não é livre 
para fazê-la. Não se você se preocupa com as conseqüências. E naturalmente, 
todos se preocupam. Foi assim que vocês construíram 
meu pensamento: para lhes dar a recompensa no Céu, Eu espero que façam 
as coisas a Meu modo. E vocês dão a isso o nome de amor de Deus.
Isso, no entanto, não é amor, em nenhum dos dois casos, pois o 
amor não espera nada, a não ser o que a liberdade propicia, e a liberdade 
desconhece a expectativa. Quando você não exige que uma pessoa atue como 
você quer e necessita que ela seja, então você pode abrir mão da expectativa.
 Então você ama essa pessoa exatamente como ela é. Isso só pode 
acontecer, no entanto, quando você ama a você mesmo exatamente como é. E 
isso só pode acontecer quando você Me ama exatamente como Eu Sou. Para 
que isso seja possível, você deve Me conhecer com Eu Sou, e não como você 
imagina que Eu Seja. 
É por isso que o primeiro passo para ter uma amizade 
com Deus é “conhecer Deus”, o segundo passo é “confiar em Deus”, e o 
terceiro é amar o Deus que você conhece e em quem confia.
Você só pode receber o amor do outro do mesmo modo que lhe dá o 
seu. Uma pessoa pode amá-lo da sua maneira, pelo tempo que queira. Você 
só pode receber do seu modo. E isso nos leva ao último item dessa resposta: o 
De onde você acha que veio essa idéia de um Deus ciumento? Vocês 
tentaram tanto quanto puderam cooptar Meu amor. Cada um tentou ser 
exclusivo. Vocês reivindicaram isso e o fizeram maldosamente. Declararam 
que Eu amo vocês e somente vocês. Vocês são, o povo escolhido; vocês são, a 
nação protegida por Deus; vocês são, a única igreja verdadeira! E vocês são 
muito ciumentos dessa reputação que se conferiram. Vocês chamam de 
blasfêmia Deus amar de um modo diferente do que vocês reconhecem.
O tipo de amor tiranizado pelo ciúme não é a minha maneira de 
amar, mas é a maneira pela qual vocês perceberam Meu amor, por que essa é 
a maneira pela qual Me amará. Esse é também o modo pelo qual amaram uns 
aos outros e isso os está matando. Se, amam outra pessoa, dizem a ela que 
deve amar vocês e somente vocês. Se, amam outra pessoa, se tornam 
ciumentos. O ciúme assume formas diferentes, tem muitas faces, e nenhuma 
delas é bela. Livre-se da idéia de que sua felicidade depende de qualquer 
coisa que esteja fora de você e estará livre do ciúme.
A maioria das pessoas precisa de alguma segurança emocional. E 
sem ela, sem um cônjuge ou parceiro que proporcione isso, o amor pode 
simplesmente morrer, queira ou não. Não é o amor que morre. Você decide 
que não precisa mais daquela pessoa. Na verdade, você não quer aquela 
pessoa porque dói demais. Você mata a necessidade. Você não mata o amor. 
Na realidade, alguns de vocês mantêm o amor para sempre. E é verdade! É a 
luz do seu amor, da sua paixão, ainda ardendo dentro de você, brilhando tão 
intensamente que os outros podem ver. É assim que devia ser, considerando 
quem e o que vocês diz que é e o que diz que decidiu ser.
Amar o outro não significa que você tenha de deixar de amar a si 
mesmo. Dar liberdade total ao outro não significa dar-lhe o direito 
de abusar de você, nem de condenar-se a uma prisão construída por você 
mesmo, em que você viva uma vida que não escolheria viver, a fim de que o 
outro possa viver a vida que quer. Mas dar-lhe liberdade total não significa 
não colocar qualquer limite para o outro.

continua...8.3 - Abraçar a Deus

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